Ao fundo, num canto, vejo o espelho, mudo
Intacto, ainda que por si, reflita as luzes,
Dispersas, tão fracas entre um canto e um beijo.
Cá, sentado, recostado na angústia de amar-te
Vejo homens embriagados, mulheres violáveis
Com suas mentiras maquiadas pelo insolúvel.
Meu amor impoluto, reflete somente o lampejo,
Do teu riso passado, e mais um gole se vai.
É estranho amar-se tanto, logo, numa outra noite,
Saber que se desconhece a quem tanto se amou,
Quer seja um ensejo, um gosto, um beijo,
É sempre assim o final de quem se quer.
Dar-se um gole na tristeza, embriaga-se com
Com a ausência, e sempre tem culpa uma mulher.
Ao longe, perto do espelho, sujo
Vejo um homem se matando, fora traído, coitado.
Decerto cá, vejo mulheres, dançando,
Dispersam o gosto, o desejo,
Molhado e sôfrêgo de suas grutas.
Dissipou-se todo amor, um trago, maldito seja!
Mais algum há-de morrer...
Quer seja em vida, quer seja ao passado.
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